quinta-feira, 16 de maio de 2013

CENSO CAU: Quem são, quantos são, quanto ganham os arquitetos brasileiros?



Para aproveitar a atualização cadastral, o CAU/BR - ao lado da Parolle Comunicação e Serviços Especializados - realizou pela internet uma pesquisa socioeconômica, entre outubro e dezembro de 2012, com os arquitetos cadastrados no conselho. E o resultado se transformou no primeiro Censo de Arquitetos e Urbanistas, inédito no Brasil.

ONDE ESTÃO
São 83.754 arquitetos por todo o Brasil. O número por Estado segue a proporção do número de habitantes. 54% dos arquitetos estão na região Sudeste, 23% na região Sul, 12% no Nordeste, 8% no Centro-Oeste e 3% no Norte. Uma boa notícia para a categoria é que 92,30% dos profissionais registrados trabalham efetivamente na área de arquitetura e urbanismo.

GÊNERO
As mulheres representam 61% do total de arquitetos formados hoje. A proporção aumenta com o tempo: se acima de 61 anos os homens são a maioria (71,27%), a proporção se equilibra na faixa etária entre 41 e 60 anos, já com predominância feminina. A partir dos 40 anos para menos, a diferença aumenta, chegando a 78% de mulheres arquitetas entre 20 e 25 anos. Isso indica uma mudança no perfil de gênero na área de arquitetura e urbanismo - resta saber se as perspectivas salariais para as mulheres também vão mudar: hoje, quando se cruzam os dados de gênero e salário, as mulheres são maioria entre os menores salários e minoria entre os maiores.

CARGA DE TRABALHO
A jornada de mais de 40 horas semanais é realizada por 40% dos arquitetos, seguida pela jornada de 30 a 40 horas para 26%. Já o salário não corresponde às expectativas dos entrevistados: 32% dos arquitetos veem como principal obstáculo ao exercício da profissão a má remuneração, perdendo somente da falta de valorização da profissão pela sociedade, que teve numerosos 52%. A falta de acesso ao mercado de trabalho veio em terceiro lugar, com 9%. Juntos, a falta de apoio e a desunião da categoria, as falhas na regulamentação da profissão, a falta de uma tabela de honorários justa e a falta de apoio jurídico na elaboração de contratos somam 7% dos obstáculos para os entrevistados - desafios para as instituições que representam o arquiteto, inclusive o próprio CAU.

PESSOA JURÍDICA E RENDIMENTOS 
O empreendedorismo é um dos principais pontos explorados pelo CAU/BR. Cruzando os dados de rendimento com a quantidade de arquitetos que possuem empresa própria, percebe-se que arquitetos que possuem pessoa jurídica (PJ) estão em uma faixa salarial maior. Destaca-se a faixa de mais de 20 salários mínimos, na qual mais da metade possui PJ, seja na categoria uniprofissional - apenas o arquiteto - ou mista, o caso de empresas com mais funcionários.

Entre os salários mais baixos estão aqueles contratados majoritariamente por pessoas físicas, não jurídicas. Conforme o rendimento do profissional aumenta, há uma inversão nessa proporção. A partir de oito salários mínimos, os contratantes são, em maior parte, pessoas jurídicas. Isso se alia à informação de que a maior parte dos arquitetos que não possui PJ trabalha para pessoas físicas (58,32%), enquanto os arquitetos que possuem empresa trabalham para outras empresas (53,91% para empresa mista e 50,80% para uniprofissional). Ou seja, há uma tendência de pessoas jurídicas contratarem pessoas jurídicas, e esses são os trabalhos mais bem-remunerados, provavelmente por serem projetos maiores. Não entram, nesse caso, as situações de PJs que dão nota mas trabalham como assalariado, apenas casos de arquitetos com empresas próprias, mistas ou uniprofissionais.

Para o CAU/BR, tais dados indicam a necessidade de ações que estimulem os arquitetos ao empreendedorismo. Mesmo que o percentual total de arquitetos que possuem empresa (20,67%) seja elevado em relação à taxa do País, a maioria é formada por microempresários, com empresas de até cinco funcionários: 75,18%.


ÁREAS DE ATUAÇÃO
Dentre as possibilidades de atuação do arquiteto, 35% restringem-se à concepção de projetos de arquitetura e urbanismo. A execução de projetos de arquitetura e urbanismo é feita por 16%, seguida dos profissionais de arquitetura de interiores (15%), e que trabalham em serviços públicos, 5%.
Dentro da concepção de projetos de arquitetura e urbanismo, 25,80% trabalham somente com projeto básico e 28,45% com projeto executivo. Isso ocorre em todas as faixas etárias, não somente entre recém-formados, que ainda não estariam totalmente inteirados da profissão.

Um dado curioso é que apenas 14,37% trabalham o projeto executivo e também a coordenação dos projetos complementares. "Isso seria um projeto completo", alerta Haroldo Pinheiro, presidente do CAU/BR. "Um projeto executivo depende do aperfeiçoamento dos projetos complementares, não acaba no simples detalhamento. Além disso, a direção de obra nos foi subtraída ao longo do tempo, mas é o último estágio do projeto arquitetônico e um campo de trabalho que precisamos recuperar." Ligado a essa visão do presidente do CAU/BR pode estar o alto índice de satisfação com as instituições de ensino: "A pessoa desconhece o que desconhece", pondera o presidente.


ENSINO
O alto índice de aprovação das escolas de arquitetura foi uma surpresa: 87% se dizem parcialmente ou totalmente satisfeitos. "Isso é preocupante, porque há fortes indícios de que o ensino de arquitetura e urbanismo precisa melhorar muito", comenta o presidente do CAU/BR. Chamam atenção para a oportunidade de crescimento na especialização os níveis de escolaridade: 66% dos arquitetos têm apenas a graduação. A pós-graduação é presente apenas em um quarto dos profissionais (25%) - e apenas 1,21% tem Ph.D.

PARA O FUTURO

Essa lacuna também se mostra no índice de formação em outros cursos superiores: somente 7,69% dos arquitetos possuem outra graduação. Se, por um lado, isso indica foco do profissional pela arquitetura, por outro pode indicar uma grande oportunidade a ser preenchida por arquitetos que investem em seu crescimento profissional.

A intenção do CAU/BR é fazer pesquisas anuais, a partir do final de 2013 - as próximas devem ser por amostragem, realizadas por institutos de pesquisa, que dão resultados estatísticos com alguma margem de erro. As próximas pesquisas devem focar em temas abordados neste censo, ou cobrir dúvidas que surgiram. "Precisamos verificar se as nossas políticas e nossa maneira de nos comunicar está funcionando, se as normas produzidas no conselho atingem a profissão", diz Haroldo.

GEOPROCESSAMENTO/FISCALIZAÇÃO 
Os dados do Censo do CAU/BR também alimentarão o instrumento de inteligência geográfica, Igeo, que faz o geoprocessamento das informações, distribuindo-as pelo País. Com isso, será possível analisar a distribuição das escolas de arquitetura no País e os tipos de mercado, por exemplo. Além disso, dados de emissões de RRT com os alvarás de obra, por exemplo, podem ser cruzados para a fiscalização em todas as cidades do Brasil - hoje, isso já acontece em Ribeirão Preto, interior de São Paulo.

Fonte: Revista AU

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